quinta-feira, 24 de maio de 2012

Tédio

Tudo está escuro,
Não vejo nada à frente.
O ar parece mais duro
E mole me parece o dente.

As sombras perseguem-me
E eu bem que fujo delas.
As sombras entristecem-me
Quando as luzes são tão belas.

Tento a tristeza esquivar,
Tento muito me entreter.
Mas se mal quero trabalhar,
É procrastinação a valer.

Mas que amargura, que tédio!
Vivendo sem da força a luz
Entendo que este compêndio
De preguiça é a minha cruz.

Vontade, vem a mim!
Quero querer trabalhar!
Não quero viver assim,
Tropeçando onde calhar.

Ataques de Loucura

Estou louco, estou louco,
Cheio de alegre loucura.
Se tu achas isso pouco
A tua cegueira não tem cura.

Vejo no sol uma escuridão
E na noite uma luz.
Acredito piamente que Platão
É que foi pregado na cruz.

Voo na minha bicicleta,
A nado vou no meu avião.
A minha vida está repleta
De pássaros a voar no chão.

Quando a loucura desaparece
Por breves momentos de lucidez
Vejo que a minha alma empobrece
E  fico pálido na minha tez.

Então volto a ficar chanfrado,
Porque há tanta gente que amo,
Mesmo sem ser amado
O romantismo é o meu ramo.

Eu sou louco e assim feliz
Num mundo feito meu.
Assim que voltei a ser petiz
A tristeza desapareceu.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Exausto

Vou-me fechar dentro de mim,
Manter-me a salvo do exterior.
Talvez até possa ser assim
Que me passe o frio e o calor.

Este rigoroso inverno,
O da minha vida te falo,
Piora este gelar interno.
Porque será que não me calo?

É menos suor que lágrimas,
a cada hora todo o dia.
Aguentando que nem máquinas
Esta falta de alegria.

Aquele intenso verão,
Exaustivo como tudo
Em que este coração,
Não tem abrigo de um escudo.

Que canseira, que agitação,
Esta coisa da paixão!
Se não aguentas a palpitação
Hás de parar no caixão.

Assim eu me resguardo, evitando
As intensidades frequentes.
Sejam frias ou sejam quentes,
deixam meus órgãos doentes.

sábado, 12 de março de 2011

Chuva de prata

Em dias de chuva,
no pleno céu de prata,
a alma que era turva
fica pura e nada farta.

Correndo ia eu,
debaixo das belas gotas,
e gritei pelo amor que é meu
e que como ela não há outras.

E eis que um raio de sol, fores onde fores,
recai sobre o nosso belo povo.
E aparece então um arco de belas cores
como quando o mundo ainda era novo.

E então aos céus
o teu nome eu gritarei.
Ouçam juizes e réus
o nome da mulher que amo e amarei.

Embora minha alma não seja pura
ainda não perdi a compostura.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Sonho Apocaliptico

Chegou então, por fim,
o dia do julgamento.
Acabou-se para mim
todo este tormento.

Reuiniram-se todos os povos
á frente do bom juiz.
Reuniram-se velhos e novos
desde o zangado ao feliz.

Os justos iam subindo,
embora esses fossem poucos,
e os ruins iam caindo,
parecendo todos uns loucos.

E então lá chegou
o meu fatidico momento.
E assim ele quase ditou
se merecia céu ou tormento.

E eis que então eu acordo
de um sono profundo.
E assim me alegro a meu modo
de estar de volta ao meu mundo.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Amar realmente

Se amar é isto
então não sei que faça.
Porque assim eu não resisto
a gritar o teu nome na praça.

A saudade de ti é sufucante,
pois sofoca com tanto excesso.
Deixa-me ser o teu amante
para o nosso amor ter sucesso.

Se tu soubesses o quanto
eu te quero abraçar,
tu me abraçarias de tanto em tanto
para os teus lábios querer beijar.

O meu sentimento é crescente,
cada vez mais te irei amar.
Tu és grande delinquente,
pois o meu coração vieste roubar.

Sendo assim volta atrás
aos tempos de antigamente,
onde as namoradas não são más
e onde o amor realmente se sente.

Agradeço desde já pela ajuda de uma grande amiga (SD), pois sem ela não teria conseguido fazer esta criação.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Este País

Estava numa bela noite
a admirar o luar
e lembrei-me que este sim
é afinal o meu lar.

Pode ter bastantes defeitos,
mas enfim, quem não os tem?
Toda a gente sem preceitos
sabe mais disso que ninguem.

A andar vamos cantando
da pátria o nosso hino.
A cantar vamos andando
desde o idoso ao menino.

Grande país foi este nosso
no tempo das velhas marés.
Descobriu o que não é nosso,
descobriu de lés a lés.

E para então terminar
este simples poema
temos de acabar
com um trabalhoso dilema:

Se voltarmos a trabalhar,
como antes se trabalhou,
nova grandeza iremos encontrar
como quando o povo aos céus chegou.